Procuro uma palavra que me caiba, algo que apeteça-me ser... Um rumo, um prumo, um jeito... Um ciclo de coisas, de nunca e sempre... Em perpétua guerra, comigo mesma, então eu peço-me trégua, e proponho-me. PAZ.

GUARDIÃ DA MINHA IMPUNIDADE DE DIZER...

Eu não consigo ser chique e escrever tudo só em duas frases. Como a maioria faz.

Eu sangro a mente aos borbotões. Como espuma em cachoeira. Vou além da lógica das palavras. E em cada palavra vou me desfazendo um pouco de mim. Eu uso um pouco aqui e outro ali... sou sempre um alinhavo. E de leve, torno-me pesada (demais), mas vou tentando. Não quero um público que passa aqui apenas por cortesia. Esse meu canto é uma visita abandonada (algo pra eu vir me ouvindo). Assistindo-me. Pra eu ser a minha cúmplice. Compartilho-me comigo. Sou meu lumiar na minha lista de palavras (não li"n"das), mas que eu adoro. Como da letra a beleza é a melodia. Eu vou me falando sem querer... Sem falar... Ouvindo-me. Sem dizer (o que dá no mesmo) ou não? Aceitarei gestos (comentários) comedidos – daqueles que me conhecem (profundamente). Não abra as minhas janelas (sem que tenham) algo (para dizer-me).

As minhas personalidades (são impossíveis) de juntar. Me constituem (em milhares) mulheres inocentes de mim (quase todas) diferentes (vontades) sonhos. Gestos (descobertas) impossíveis (acho), mas assentirão ( que eu vá escrevendo-me) as minhas porcarias básicas (ou coisa alguma) frase interessante (deliciosa). Ou talvez nada (seja só um exercício) de um tempo cruel (pra espantar a velhice) risos. Ou só desculpas ridículas. (desde a minha infância remota) eu sei que eu sou assim, eu não tenho conserto. Nem dinheiro nenhum. Eu nem ligo pra coisas importantes. Nem pra pessoas interessantes. Vou “só” sonhando. “Só” pensando. Até eu queimar. E mudar de céu. E não ser mais. Mas eu não sou. E quem é? Quem me conhece sabe. Que eu sou. Ou muito triste. Ou muito irritada. Ou muito feliz. Ou muito apaixonada. Muito intensa. Ou muito tudo. Ou muito nada. Sem controle. Sem siso. Sem nada de nada. Mais informações? As pessoas interessadas. Que acessem. Ao interesse delas. Vou ficando por aqui. Me matutando. Me respondendo. Alguns vestígios? Evocam... Marcas que passam. Permanência? É presença. Tudo é significado. Na fragilidade das listas. Há sempre um olhar cravado em mim (de sempre). E PRA SEMPRE. Cujo sabor é esquecido? (jamais).


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

filha do infinito, do vento, do amor...]

o amor acende a vida
fica leve
busca o infinito
tem vontade de voar...

o amor é um compromisso com a vida
de sorrir
de seguir em frente...

o amor desconhece teorias
não domina técnicas
ele toca a alma humana
espanta medos
angustias
aflições...

o amor busca objetivos
sonhos
possibilidades infinitas...

o amor, ahhh! o amor!

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

ANDI POETA POEMA


Impressionismo, Van Gogh, Semeador ao pôr-do-sol, 1888 


à Andi pelo seu aniversário



DO AMOROSO ESQUECIMENTO

Eu, agora - que desfecho!
já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?
(Mario quintana)
o poeta das coisas simples...]




Andi]

poeta poema
as palavras pra vc nunca foram apagadas
nem são alheias 
nem saem de dicionários
elas escorrem como uma chuva
como um sol
como um girassol de Van Gogh

Andi poeta poema
arqueólogo das palavras que decifra cinzas de uma estrela
estrela amor
por você meu riso é cantado
poeta poema
poeta belo
poeta feito de renda de mármore de serenidade
belo como o Taj-Mahal
poeta belo
porque seus farrapos são do tecido da eternidade

sabe...
vc não é velho
vc nasceu hoje de manhã
vc nasceu e já se escreveu menino...

Andi, SEMEADOR DE ESTRELAS!





Inspiração by Quintana

quarta-feira, 24 de junho de 2015

DA IMPERMANÊNCIA:



num segundo, num milésimo de segundo, nada é seu, nada é meu, nada é nosso.
Todas as certezas. Tudo o que parecia ser [já não é]. Tudo o que imaginamos. É nada, nada mais é nada. É nada, tudo é nada...
Não somos mais do que a insignificância da poeira. Não somos nada. 

o tempo tem os seus desígnios, tem o seu encontro com o seu tempo,
tem um encontro marcado naquela curva, naquela esquina onde e quando não sabemos,
naquele acaso, ou na eventualidade a beira do abismo.

amargo ou doce.]

existe uma conexão magica. Viver é um tempo de entender o que nos reserva no impermanente da vida.
viver é agora...
Mas como entender?
de repente naquele instante tudo equivale como se fosse tentar desvendar ou entender como é que o  ilusionista tira os coelhos da cartola, ou qual é a técnica que corta a mulher ao meio durante a magia, mas a vida é uma chave, uma chave cuja fórmula foge ao mistério do explicável matemático. Não se explica o inexplicável. Talvez o mistério esteja na resposta do amor. O amor é uma magia,  e a magia não se explica. Diante da morte é que talvez possamos compreender, que só o amor é algo mágico, vivo e grandioso mesmo diante da morte, porque o amor não morre (nunca).
- e o que levamos da vida, é a saudade que deixamos aqui]




Metamorfose Ermitã



...abandonei o mundo e me refugiei nesta solidão para viver num estado de despertar, e descobrir e sentir a paz...



quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

[Solilóquio para 2014]


E então este é o último. Mas é também o primeiro. Um carrossel. E foram tantas as resoluções... As tensões... Um carrossel de acordes tantos... Velhas respostas para novas perguntas, ou novas perguntas para velhas respostas; Há que se escrever para trás para se dizer para a frente. Há que se dizer em metáforas para não se dizer e dizer. E eu? O Igual de sempre. Sigo, além dessa teoria filosófica/moral. O supremo bem da vida,  é o amor. O (eu do meu) O hedonismo de sempre. E o que é o amor? Ahhh! O amor é um "A", um “M”. Um “M” de mistério com um "A" de amor! E que devido ao número excessivo de pedidos recebidos neste ano parece estar com o acesso bloqueado. Segue a busca, pois é o AMOR o propósito da vida. Aproveitar essa atmosfera de liberdade em que algumas atitudes malogram e se fazem desaparecer, mas, neste mundo de noticias sem limites há sensações que o tempo jamais levará. E o amor está entre essa cor e os silêncios. E, há os silêncios (dês) pretensiosos. E há os pretensiosos. Há o plano para as memórias escritas (talvez), o amor seja isso, seja esse abrulho do barulho, esse entrelaçar de laços, essa nova vinha dessa nova vida que vem ai. E então, é seguir nessa busca, nessa velha e sempre nova busca. Não alimentar rancor. Alimentar esperanças. Existem 1001 motivos para deixar um laço bonito neste que foi e no que virá, porque é o mesmo que virá (como sempre). Então, é dar um pontapé nessa nova vida e entrelaçar mais uma vez, os mesmos de tantos, porque depois desse porre você vai ver que o tempo que passou é a mesma companhia dessa lucidez de agora. Então não há arrependimentos. Não foi tão ruim assim. Resgatar que pra mim e pra mim é melhor preferir a morte a sensação de ter algo bem menor do que realmente já se teve ou do que se é. O que realmente eu sou? Comece de novo. Mas não com qualquer cifra ou música brega. Experimente um acorde maior  para 2015. E se isso não remexer as borboletas no seu estômago tentaremos outra solução. Seja como for, vá. Alguns acordes podem ter outras resoluções. Tente! E não acostume-se com as lagartas no estômago. Remexa as suas borboletas. Romantize coisas novas. Imagine um pra sempre. Como uma alegria única. E então, quando você tiver crescido o suficiente vai ver, que a bola pra frente para o amor é a premissa do amor para com você mesmo (a), e então essa viagem súbita é regressora. É de repente. O relógio bate a porta. É preciso deixar entrar. Deixa entrar a própria luz. A sua luz. Espere. Re (viva). Os (a) pelos. Pela fé. Pela palavra. Pela escrita de dentro. Porque não há saudade. Nesse nada existe nada existe. Não existe saudade no nada. A nossa existência é a própria inexistência do existir. E é só uma sombra hipotética. Uma sombra pretérita imperfeita mais do que perfeita. Porque só o que é perfeito é o AMOR.  E eu quero acreditar que ainda existe um jeito para os viajantes da terra.

AU REVOIR


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

DESTINO?

Destino de Reise
por REISE em arte escura e emocional ] Inspiração by Galeria Daniel Priego

carta sem resposta


Não quero compreender porque o instante falhou, não há explicação para o vazio de tentar alcançar com a mão o pássaro que voa como um pensamento não formulado. Há coisas que pertencem só a nós mesmos, por isso é inútil compreender as razões do outro. O outro é sempre um labirinto. As coisas são distintas, as pessoas diferentes, os instantes não se casam, as oportunidades se fragmentam como as coisas que não foram ditas, os planos insatisfeitos, o encontro irrealizado.
Através do tempo, os sonhos se perdem porque disso é feito o universo: de imagens inescrutáveis, acontecimentos perecíveis, mutações uma após a outra, no movimento que nos faz cósmicos. Tanto quanto a galáxia onde se dependura a lua não significando nada além da luz fria de um corpo sem importância, desabitado de alma quando, enfim, nos deparamos com a solidão na janela de um edifício e partimos sem endereço.

A solidão humana talvez seja a dádiva do conhecimento pleno, ainda que doa.
O resto é desejo e perdi neste instante a fórmula para realizar o irrealizável. Teria sido muito fácil, não fosse difícil compreender porque falhou. Não há explicação para o vazio, então seguimos sem respostas.

Num dado momento você me ouvia. Em respeito ao eco da sucessão de coisas que sobreviveram da clareza possível, transformo em palavras a condição ambígua de querer comunicar o que pertence apenas a mim mesma.

Um dia sua compreensão teve o tamanho da minha, andamos no mesmo passo.Lembro-me que era um instante. A dois o mundo parece sempre uma surpresa doce. Há bombons que mordemos para sentir o gosto, outros que nos alimentam e são inesquecíveis. Mas o tempo é o tempo, e a duração das coisas depende da força que imprimimos à aventura de se lançar ao sonho. Sonhamos juntos é verdade. E às vezes não é preciso tentar compreender as razões do outro. Pessoas vêm e vão no movimento que nos faz cósmicos, no desfecho circular do universo. Eu frágil, eu forte, eu minha, eu sua. Eu acho inútil deixar aqui meu endereço.
As pessoas não se perdem. Os encontros verdadeiros apenas se transmutam, eternos como a rota circular do tempo. Nessa noite esférica de pensamentos e galáxias em que ousei  buscar resposta sem obtê-la, adormeço estrela, amanheço nem sei como...

(Texto da série Cartas Sem Endereço)
inspiração e olhar by célia musilli

sábado, 28 de setembro de 2013

Aprendi que as linhas paralelas se encontram no infinito

De outra vez vi Deus, era um menino que me dizia para não perder a infância, que a infância era Deus.
(Caio Fernando Abreu, carta a Vera Antoun)
voltei a escrever
dessa vez não vou explicar
o inexplicável
to exausta de construir e desconstruir fantasias
cansei de demolir essa coisa dentro de mim
esse caminho que não pode ser modificado
é estranhado de talvez
que se aprendeu
e se prende sem limites
é alheio ao olhar de fora

cansei de coisas
que separam sonhos
de realidade
de arranhar paredes
para ser um clichê detestável

cansei de ser limpa como eles
prefiro ser esse saco de pancadas
não tenho planos para esse jogo social [e sujo]
pra essas trocas que já nascem
desesperadas
esse circulo vicioso
tudo é maya
tudo é ilusão...

aprendi que o infinito é o eterno
e que tem uma altura que ninguém jamais
conseguiu alcança-lo

* agora relaxe e navegue
não vim pra agredir todo [ou] o mundo
vim por essa minha vontade...
NADA]

só uma coisa ainda me dói muito [sempre]

- são esses meus intermináveis silêncios...]

quinta-feira, 30 de maio de 2013

MOMENTO UMIDADE EM GOTAS...

Tu sabes como comer (chupar)  uma tangerina? 
A gente tira a casca e come (chupa)! Fácil! 

Mas tente comer (chupar)  como se fosse a primeira vez ou a ultima coisa q vai comer na vida. 
A cor, a fragrância  o som ao descascar, o cheiro acido da casca, o sabor de cada gomo, a consistência .. Coma (chupe) com atenção! 
Com certeza vai ser uma experiencia magica! 


___ por esses dias em que a flor não é floreiro
(em que é tempo de "se" ler) e nada querer dizer. é um tempo de ser diário áspero. mesmo assim,
devo dizer, baba em mim um doce cheirinho de alfazema, algo que escorre em perfumes/cheiros. sim, há uma teia de aranha nos órgãos internos, mas nem tudo é uma batida gosmenta e jururu. há algo que dá flor nessa bagunça toda. (há o deixo, o  levo, e o que jogo fora).



Inspiração/Imagem by gabrielxyz

sábado, 25 de maio de 2013

LUA & BREU


(e o sol continuará nascendo)


Há uma voragem
Um prazer in_certo
Estrangeira dos meus olhos
Sinto-me rainha
Nessa redoma sem fim
Dentro de um azul encoberto
Há essa paisagem doce
Um querer que contempla e desaparece
é anestesia
é pó
é turbilhão
é infinito...

Talvez um relógio de segredos

Razão de retornar ao eterno...]

segunda-feira, 6 de maio de 2013

ÀS MÃES QUE NÃO QUEREM SER (By ESCRITAESTRANHA)



Aqui, brincando com letras,
curtindo solidão,
imaginando tantas tetas;
sentindo-me coração.
Aqui, só com os cães
e desejo de mulheres;
saudade de mães.


E que venha o dia delas,
das putas e das cadelas,
porque mães, todas são.
Feliz dia das outras
que não tiveram filhos.
Feliz dia dessas
que não querem
porque têm pressa.


Hoje posto esse belo e intenso escrito alusivo ao dia das mães. O que encantou-me? foge da mesmice enfadonha e lenga-lenga água com açucar de sempre. Uma letra ousada]... By ESCRITAESTRANHA - RIVA. Companheiro de pontos e vírgulas. Não resisti a tua tão bela poesia. Espero que me perdoe, (naturalmente), todos os créditos são teus. Encontrei ainda fuçando por ai, um olhar não menos belo, belíssimo,  para ilustrar a tua poesia By HélioJesuino ___Um duo belíssimo, tomei emprestado para o meu olhar, e para quem mais desejar apreciar.. Beijo. bjooooooos

domingo, 5 de maio de 2013

RECLUSO SÂNDALO


de todas as peles que me cobrem entender a tua face sempre foi pra mim, o meu mistério.
talvez porque eu seja adaga e você flores
ou eu seja uma babilônia esquecida e você seja uma prece
ou talvez porque nas minhas lacunas de grafites a tua lua nua sempre me vestiu de amor e cor

- e antes que a alma me sufoque eu vou me arremessar daqui numa onda de cheiros, num arco de peles e asas... eu vou dizer que a dor de te guardar no cheiro em mim é uma dor de saudade estrela, e que é teu o meu eterno corpo/alma. pra sempre]

Amarei pra sempre você...

(daqui) do império das paixões terrenas

(pra sempre)

cumprindo a promessa de um dia te reencontrar.
(tu me proporcionastes esta viagem), pode crer...
(invisível) apesar da distância
as tuas visões me desacreditam (você sempre achou que eu não tenho um coração sábio),
mas eu vou sentar ao teu lado (prometi),
(enquanto isso) eu vou seguindo para além dos poemas...
(do breu) de quem sabe em mim sobreviver...
Um asceta. Um mago. Um monge...

AMOR. AMOR. AMOR
(por habitar-me pra sempre)
sou tantos cantos em transformação...


TERNURAS IMPERFEITAS (Espectral Imanência)


(Insensatez da fruta. A grosso modo)


da-me agora a tua mão, eu vou te contar como adentrei para o inexpressivo mundo
do inerte. do livre dizer. 
como no amor. a liberdade de dizer é uma escadaria que nos liberta para o precipício.
a flor da pele. sem medo. sem enredo. 
intemperança sem transitório chão. voo sem tripé. 
um livre pulsar. que oferta for, mas enxergam espinhos... um cristal rompido, o frescor de uma tempestade de verão voando entre as estrelas.
então porque?
porque só veem o espectro do espírito?]

- ah, o peso dos loucos e o coração dos gigantes é muito para sorrisos anões...
- entendo... a forma que brilha, a interpretação da flor, o cosmos, aquilo que apazígua a semente,
é a interpretação dos elásticos conceitos. Uma mesma tela pode ter uma interpretação de um em dois. emitir sem mágoas, nem sempre é uma evolução conjunta.

***



cada um dá o que pensa
o que encontra
o que procura]

***

Voe Alto!
voar o mais alto que puder almejar
fechar os olhos
imaginar
transpassar as barreiras da realidade
dar a mão pro universo
desejar o infinito]

***

Agradeço...
A vida nem sempre segue a nossa vontade, mas ela é perfeita naquilo que tem que ser. (Chico Xavier) 

***

Filha
Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.  ____Caio F. Abreu

***

Meu Anjo
Um anjo vem todas as noites: senta-se ao pé de mim, e passa sobre meu coração a asa mansa, como se fosse meu melhor amigo. ― Lya Luft •

***

Acreditava...
Ela acreditava em anjos e porque acreditava, eles existiam.Clarice Lispector

***

zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzAutumn-time[1].jpg (1600×1200)
A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor. Brilha tranquila, depois de leve oscila e cai uma uma lágrima de amor. (Tom Jobim)

por vezes tantas, esquecemos o doce riso da primavera, perdidos em silêncios, frestas de nuvens cinzas espiam nossos. vazios... por tantas vezes permanecemos como que no eterno daquilo que já não é. daquilo que mesmo desfigurado pelo tempo, permanece no tempo. ah, tempo! Tempo das doces ilusões. Mas sonhar é como arco-íris, ainda que não surta nisso nenhuma cor. se sonharmos com o azul, certamente nos deixaremos habitar num céu estrelado cheirando a flor. noites de luar, também embalam os invernos. e podem ter cheiro de primavera, ainda que nos encantem pra sempre os outonos, e as suas pétalas nostálgicas.]

sexta-feira, 3 de maio de 2013

DESAFIANDO O ALÉM [céu de ícaro]






Talvez os poetas devam morrer de uma morte alada. Talvez devam ter por causa mortis (poemas). Talvez devam ser eternizados num pra sempre que seja uma leve pena ou pluma azul. Assim poderão voar e desvendar os céus e seguir os seus olhos. Talvez os poetas devam morrer e ficarem então num punhado de sol. na brisa do vento. nas gotinhas da chuva. no odor de todos os perfumes. ou no brilho prateado da lua... quem sabe devam ficar num caramelo doce.fappuccino.fita.crunch.quatrotipos.mais. ou quem sabe na possibilidade potencial de uma pessoa-sorriso-rosa.cor.tela.quadro.pincel-ou num laranja-lilás.sol.talvez num verdeclaroazulcéu.uau! + que aparente aparência irresistível teriam os poetas! Ah, a fantástica inocência e a falta de experiência desta poeta imagética. de repente vê tudo, e se vê em tantas possibilidades. E o mundo inteiro dela parece mesmo estar no mesmo estar eternizado.  nessa doce cafeteira solitária. que solidária compreende essa sua mania de ver sol. mesmo quando tudo está escuro. Eu quero...

permita que seja eterno enquanto dure. permita, mesmo que não dure nada. no meu céu tem uma varanda de poesias. tem coqueiros que acenam, embora não respondam. tem uma mãozinha que me escreve. tem uma outra vida. no meu céu de ícaro que eu amo, tem uma flor que é uma estrela. e ela acena pra mim. como disse (Herbert Viana). O meu céu de ícaro tem mais poesia que o céu de Galileu.]

quarta-feira, 1 de maio de 2013

***


A saudade é um  amor 

de  natureza: viva, pulsante...



eu vou seguindo,
outros lugares,
em outros olhares,
pra te namorar...
meu riso tem sido,
um distante subúrbio de luar,
em cada esquina eu sei que eu vou te encontrar,
você nunca sai do meu olhar...

domingo, 28 de abril de 2013

Solzinho



"Por vezes a minha dor é esmagadora, e embora compreenda que nunca mais nos voltaremos a nos ver, há uma parte de mim que quer agarrar-se a ti para sempre. Seria mais fácil para mim fazer isso porque amar outra pessoa pode diminuir as recordações que tenho de ti. No entanto, este é o paradoxo: Embora sinta muitíssimo a tua falta, é por tua causa que não temo o futuro."

Olhai à tua volta...




"Quantas pessoas especiais você tem deixado passar e partir? 

Aquela pessoa passando na calçada poderia ser o grande amor da sua vida; aquela outra poderia te dar uma explêndida amizade; tem aqueles que poderiam te auxiliar em tua caminhada, assim como aqueles a quem você pudesse estender a mão. 
Todos passando, sem um olhar, sem um sorriso, sem um aperto de mão. (...)
Claro, há aquelas que poderiam te fazer mal, mas há mais pessoas boas do que más neste mundo. Você é uma delas. O mundo não precisa ser tão frio... E muita felicidade pode ter passado muitas vezes ao teu lado e você nem viu....

Augusto Branco

Das reciprocidades e impressões




Num dia qualquer a gente se encontrou
Emoções em cadafalso
Entardecidos de se entardecer
Entre ser e estar

Num dia sem passado
Sem presente e sem futuro
Dias amanhecidos
Ausentes
Ciganos...

Num dia sem pernas
Sem braços
Bagaço
Drama...
Esboços...

E a gente se deitou
Na pele
Na mão
No cheiro
No olho um do outro

A gente vinha de eras imemoriais
De anjos
De bichos
De querubins
e Iansãs

A gente vinha de vidas individuais
De pó de pririlimpimpim
De peter pan
De beija-flores
e Fadas

A gente se deixou estar pela boca
Se deitou pela boca
Na vontade de ficar

A gente não olhou ao redor
Não ligou pro sexto sentido
Dispensou a rede
Se jogou ao ringue do perigo
Cativou
Sentou perto
Se deixou cativar

A gente foi se florescendo aos poucos
Foi se estimulando ao se estimular
E como numa musicalidade que se transforma em cada nota
Foi se inspirando nesse espetáculo particular


A gente se registrou nas influências
Nas florescências
Nas interpretações
No estrito senso da palavra que enreda
Nas canções e na genialidade
Da semente do coração, e de cada dizer]

A gente apagou as luzes de se anoitecer
Acendeu-se quando devia acender
Pra se desesconder
Pra se acontecer
Para se mastigar nas mesmas palavras
Para se fertilizar na cronologia da cumplicidade
De se beber e de se encher de sol
De ser jardim que se transforma
Pétalas vivas do nunca
Perfumes – cores – cheiros
Oxigênio – nutrientes
Cada vez mais em nós

Gota caudalosa
Oceano que tece o encontro
Cumplicidade despretensiosa
Que nos enchem daqueles dias de jardins de cada vez mais um no outro

Então ta tudo esclarecido...
somos as melhores lembranças...
Os melhores achados...

Das coisas perdidas...
as encontradas...

Então ta tudo esclarecido...
O tempo faz as grandezas mais fortes,
Inquietas ou atemporais,
O tempo é aprendiz e devoto da gente
E pra gente,

Mas pra encontrar vagas nos jardins desses perfumes
É preciso correr pro abraço do perigo...




sábado, 27 de abril de 2013

ABRIL


à Lu 

As cores de abril
Os ares de anil
O mundo se abriu em flor
E pássaros mil
Nas flores de abril
Voando e fazendo amor

VINICIUS DE MORAIS (1913 - 1980)


quinta-feira, 25 de abril de 2013

ESBOÇO DE UMA SERPENTE



 um poema de Paul Valéry/ Tradução de Renato Suttana

 *Paul Valéry, pensador e poeta francês, do século XIX - (Obra de domínio público)


Entre a árvore, a brisa acalenta
a víbora que hei de vestir;
um sorriso, que o dente espeta
e de apetites vem luzir,
sobre o jardim se arrisca e vaga,
e o meu triângulo de esmeralda
atrai a língua do reptil...
Besta sou, porém besta arguta,
cujo veneno, embora vil,
deixa longe a sábia cicuta!

Suave é este tempo de prazer!
Tremei, mortais, ao meu valor
quando, sem me satisfazer,
bocejo e quebro o meu torpor!
A esplendidez do azul aguça
esta cobra que me rebuça
de uma animal simplicidade:
vinde a mim, ó raça aturdida!
Que estou prestes e decidida,
semelhante à necessidade!

Ó Sol, ó Sol!... Falta estupenda!
Tu que mascaras o morrer,
sob o azul e o ouro de uma tenda
onde as flores vão se acolher;
em meio a mil delícias baças,
tu, o mais feroz dos meus comparsas,
dos meus ardis o mais perfeito,
aos corações não deixas ver
que este universo é só um defeito
na puridade do Não-Ser!

Ó Sol, que soas as matinas
do ser, e em fogos o acompanhas,
que num fatal sono o arrepanhas
todo pintado de campinas,
fautor de fantasmas risíveis
que prendes às coisas visíveis
a presença obscura da alma,
sempre me agradou a mentira
que tu sobre o absoluto espalhas,
rei das sombras tornado pira!

A mim o teu calor brutal,
onde a minha preguiça gelada
vem devanear sobre algum mal
próprio à minha índole enlaçada...
Este amável lugar me seduz
onde cai a carne e produz!
Aqui meu furor amadura;
e eu o aconselho, e eu o refaço,
e me escuto, e em meio aos meus laços
minha meditação murmura...

Ó Vaidade! Causa primeira,
que domina os Céus e os conduz,
de uma voz que já foi a luz
abrindo o cosmo sem fronteira!
Lasso de Seu puro espetáculo,
o próprio Deus rompeu o obstáculo
de tão perfeita eternidade;
ele se fez O que dispersa
em consequências Seu começo,
em estrelas Sua Unidade.

O Céu, Seu erro! E o Tempo, a ruína!
E o abismo animal alargado!
Queda naquilo que origina,
fagulha em vez do puro nada!
Mas o primeiro som do Seu Verbo,
EU!... dos astros o mais soberbo
que disse o louco criador –
eu sou!... Eu serei... E ilumino
esse diminuir divino
dos fogos do grão Sedutor!

Radioso objeto de minha ira,
Tu, que amei de um amor flamante,
e que da geena decidiste
conceder o império a este amante,
nos meus escuros Te remira!
Que ao veres Teu reflexo triste,
troféu do meu espelho negro,
tenhas tão funda comoção,
que sobre a argila o Teu ofego
seja um suspiro de aflição!

Em vão moldaste nessa lama
a prole dos fáceis infantes
que dos Teus atos triunfantes
a eterna louvação proclama!
Tão logo secos – e perfeitos,
são da Serpente já desfeitos,
filhos que o Teu criar produz.
Olá, lhes diz, recém-chegados!
Homens que sois, e andais tão nus,
animais brancos e abençoados!

Odeio-vos, que do execrado
à semelhança fostes feitos,
tal como ao Nome que tem criado
esses prodígios imperfeitos!
Eu sou o agente da mudança,
retoco o peito que se afiança,
de um dedo exato e misterioso!
Transformaremos essas obras
e as evasivas, moles cobras
em répteis negros, furiosos!

Meu intelecto inumerável
toca no humano coração
o instrumento de minha raiva,
que foi feito por Tua mão!
E Tua Paternidade alada,
todo aquele que, na estrelada
câmara ela acolha que a afague,
sempre o excesso dos meus assaltos
lhe traga uns longes sobressaltos
que seus propósitos estrague!

Vou e venho, deslizo, enfronho,
desapareço em peito puro!
Houve jamais seio tão duro
onde não possa entrar um sonho?
Quem quer que sejas, não sou esta
complacência que te requesta
a alma, desde que ela se ame ?
Ao fundo sou de seu favor
este inimitável sabor
que de ti em ti se derrame!

Eva! que eu tenho surpreendido
em seus primeiros pensamentos,
o lábio aos hálitos rendido
que das rosas se evolam lentos.
Quão perfeita me apareceu,
de ouro coberto o flanco seu,
sem temor ao sol nem ao homem;
ofertada aos olhos da brisa,
a alma ainda estúpida, tal como
perplexa ante a carne, indecisa.

Oh, massa de beatitude,
és tão bela, prêmio veraz
para toda a solicitude
das almas boas e das más!
Para que aos lábios teus se prendam,
basta que a um sopro teu se rendam!
Tornam-se piores os mais puros,
logo se ferem os mais duros...
Também a mim teus dons encantam,
de quem vampiros se levantam!

Sim! De meu posto entre a folhagem –
réptil que de ave se fingia –,
enquanto a minha pabulagem
uma armadilha te tecia,
eu te bebi, surda beldade!
Prenhe de encanto e claridade,
eu dominava, sem tremer,
fixo o olho em tua lã dourada,
tua nuca obscura e carregada
dos segredos do teu mover!

Presente estive, qual odor
que a alguma idéia corresponda,
cujo fundo, insidioso negror
não se elucida nem se sonda!
Pois eu te inquietava, ó candura,
carne molemente segura,
sem ter de mim nenhum temor,
a tremer em teu esplendor!
Logo eu te tinha, eu te levava,
e tua nuança variava!

(A soberba simplicidade
demanda infinitos cuidares!
Sua transparência de olhares,
tolice, orgulho, felicidade
guardam bem a bela cidade!
Procuremos criar-lhe azares,
e traga o mais raro artifício
ao peito puro o seu motim.
Eis minha força, o meu ofício,
a mim os meios do meu fim!)

Ora, de uma baba ofuscante
fiemos os suaves assaltos
que façam com que Eva, hesitante,
se envolva em vagos sobressaltos.
Que sob a seda da surpresa
palpite a pele dessa presa,
acostumada ao azul puro!...
Mas de gaze nem uma trama,
nem fio invisível, seguro,
além da que meu estilo trama!

E ditos, língua, redourados,
dá-lhe os mais doces que conheças!
Alusões, fábulas, finezas,
e mil silêncios cinzelados,
emprega tudo o que a seduza:
nada que a não bajule e induza
a se perder nas minhas vias,
dócil aos declives que guiam
para o fundo das azuis bacias
os veios que nos céus se criam.

Oh, quanta prosa sem parelha,
quanto espírito não recoso
e lanço ao dédalo sedoso
dessa maravilhosa orelha!
Penso: lá nada é sem proveito,
tudo importa ao suspenso peito!
O triunfo é certo, se o propor,
da alma espreitando algum tesouro,
como uma abelha a alguma flor,
não deixa mais a orelha de ouro!

“Só o que o meu sopro lhe confere,
a ela, é a própria voz divina!
Uma ciência viva fere
o corpo do fruto maduro!
Não ouças o Ser velho e puro
que a breve mordida abomina!
Que, se a boca se põe a sonhar,
a sede que à seiva se atreva,
esta delícia por chegar,
é a eternidade fundente, Eva!”

Ela bebeu minha mensagem,
que tecia um estranho arranjo;
seu olho perdeu algum anjo
por penetrar minha ramagem.
O mais hábil dos animais
que se ri de seres tão dura,
ou pérfida e cheia de males,
é só uma voz entre a verdura!
– Mas Eva muito séria estava
e sob o galho ela a escutava!

“Alma, eu lhe disse, doce pouso
de tanto êxtase condenado,
não sentes este amor sinuoso
que foi por mim ao Pai roubado?
Tenho esta essência celestial
a fins mais doces do que o mel
reservado tão suavemente...
Apanha o fruto... Oh, que se estenda
a tua mão e, ardentemente,
te faça dele uma oferenda!”

Que silêncio – o bater de um cílio!
Que sopro no peito soçobra,
que a árvore mordeu de sua sombra!
O outro brilhava qual pistilo!
– Silva, silva! – ele me cantava!
E eu sentia fremir as mil
dobras do meu dorso sutil,
saindo então do meu abrigo:
rolaram atrás do berilo
de minha crista, até o perigo!

Ó gênio! Ó comprida impaciência!
Eis chegado o instante em que um passo
em direção à nova Ciência
fluirá de um fino pé descalço.
Aspira o mármore, o ouro enjambra!
Tremem as bases de sombra e âmbar
na véspera do movimento!...
Ela vacila, a grande urna,
de onde emana o consentimento
dessa aparente taciturna!

Do vivo prazer que antegozes,
belo corpo, cede aos apelos!
Que a sede de metamorfoses
em torno da Árvore dos Zelos
engendre a cadeia de poses!
Vem, sem vires! Ensaia passos
vagos, como ao peso de rosas...
Não penses! Dança nos espaços...
Aqui há causas deliciosas
que bastam ao curso das coisas!...

Oh, quanto é infértil a fruição
que me ofereço, com demência:
de ver tão suave compleição,
fremir em desobediência!...
Breve, emanando seu sustento
de sabedoria e ilusões,
toda a Árvore do Conhecimento,
esguedelhada de visões,
no amplo corpo que investe rumo
ao sol, bebe do sonho o sumo.

Grande Árvore, Sombra das Alturas,
irresistível Árvore de árvores,
que os sucos amáveis procuras
na fragilidade dos mármores,
ó tu, que os labirintos cevas
por onde as constrangidas trevas
se percam no marinho lume
da sempiterna madrugada,
doce perda, brisa ou perfume,
ou pomba já predestinada,

Cantor, secreto bebedor
das mais profundas pedrarias,
berço do réptil sonhador
por quem já Eva tresvaria,
grande Ser, pleno de saber,
que sempre, como por mais ver,
ao alto apelo de teu cimo
cedes, e ao ouro puro os braços
estendes, teus esgalhos baços,
de outra parte, cavando o abismo,

Podes o infindo repelir,
feito só de teu crescimento,
e, da tumba ao ninho, sentir
que és inteiro Conhecimento!
Mas este velho amante do impasse,
de uns secos sóis no inútil ouro,
vem em tua copa enroscar-se –
seus olhos fremem teu tesouro!
Frutos de morte, de incerteza,
de desespero ali sopesa!

Bela serpe, suspensa aos céus,
sibilo, com delicadeza,
ofertando à glória de Deus
o triunfo da minha tristeza...
Basta-me, nos ares tranqüilos,
que a ânsia do amargo fruto os filhos
do barro ponha em desvario...
– A sede que te faz tamanha
até ao Ser exalta a estranha
Toda-Potência do Vazio!

PAUL VALÉRY


(Tradução de Renato Suttana)

N.T.: Agradeço a Sephi Alter pelas valiosas sugestões a esta tradução.



REFERÊNCIAS

Disponível em http://www.arquivors.com/valery2.htm