Procuro uma palavra que me caiba, algo que apeteça-me ser... Um rumo, um prumo, um jeito... Um ciclo de coisas, de nunca e sempre... Em perpétua guerra, comigo mesma, então eu peço-me trégua, e proponho-me. PAZ.

GUARDIÃ DA MINHA IMPUNIDADE DE DIZER...

Eu não consigo ser chique e escrever tudo só em duas frases. Como a maioria faz.

Eu sangro a mente aos borbotões. Como espuma em cachoeira. Vou além da lógica das palavras. E em cada palavra vou me desfazendo um pouco de mim. Eu uso um pouco aqui e outro ali... sou sempre um alinhavo. E de leve, torno-me pesada (demais), mas vou tentando. Não quero um público que passa aqui apenas por cortesia. Esse meu canto é uma visita abandonada (algo pra eu vir me ouvindo). Assistindo-me. Pra eu ser a minha cúmplice. Compartilho-me comigo. Sou meu lumiar na minha lista de palavras (não li"n"das), mas que eu adoro. Como da letra a beleza é a melodia. Eu vou me falando sem querer... Sem falar... Ouvindo-me. Sem dizer (o que dá no mesmo) ou não? Aceitarei gestos (comentários) comedidos – daqueles que me conhecem (profundamente). Não abra as minhas janelas (sem que tenham) algo (para dizer-me).

As minhas personalidades (são impossíveis) de juntar. Me constituem (em milhares) mulheres inocentes de mim (quase todas) diferentes (vontades) sonhos. Gestos (descobertas) impossíveis (acho), mas assentirão ( que eu vá escrevendo-me) as minhas porcarias básicas (ou coisa alguma) frase interessante (deliciosa). Ou talvez nada (seja só um exercício) de um tempo cruel (pra espantar a velhice) risos. Ou só desculpas ridículas. (desde a minha infância remota) eu sei que eu sou assim, eu não tenho conserto. Nem dinheiro nenhum. Eu nem ligo pra coisas importantes. Nem pra pessoas interessantes. Vou “só” sonhando. “Só” pensando. Até eu queimar. E mudar de céu. E não ser mais. Mas eu não sou. E quem é? Quem me conhece sabe. Que eu sou. Ou muito triste. Ou muito irritada. Ou muito feliz. Ou muito apaixonada. Muito intensa. Ou muito tudo. Ou muito nada. Sem controle. Sem siso. Sem nada de nada. Mais informações? As pessoas interessadas. Que acessem. Ao interesse delas. Vou ficando por aqui. Me matutando. Me respondendo. Alguns vestígios? Evocam... Marcas que passam. Permanência? É presença. Tudo é significado. Na fragilidade das listas. Há sempre um olhar cravado em mim (de sempre). E PRA SEMPRE. Cujo sabor é esquecido? (jamais).


sábado, 20 de abril de 2013

A Máquina do Mundo – Carlos Drummond de Andrade


A Máquina do Mundo
E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas.

(Trecho de “A Máquina do Mundo”, de Carlos Drummond de Andrade)

Homens Ocos – T. S. Eliot


   A Flor e a Náusea
Os Homens Ocos
Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada
Fôrma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor;
Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam — se o fazem — não como violentas
Almas danadas, mas apenas
Como os homens ocos
Os homens empalhados.
II
Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frêmito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante.
Que eu demais não me aproxime
Do reino de sonho da morte
Que eu possa trajar ainda
Esses tácitos disfarces
Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
E comportar-me num campo
Como o vento se comporta
Nem mais um passo
— Não este encontro derradeiro
No reino crepuscular
(Trecho de “Os Homens Ocos”, de T.S. Eliot. Tradução de Ivan Junqueira)

sexta-feira, 19 de abril de 2013

INVASORES MENTAIS


[os invasores do planeta da minha mente não podem ser identificados. não há uma característica que possa ser definida] 

Amanhecer com o corpo invadido por uma alma peregrina que me come as entranhas... com conversas mentais num embate com a minha mente... enfrentar um estilo diferente todo dia...  amoroso... romântico... fogoso... independente... espetáculo sobrenatural... hospedeira de mim...

Sei que existe quem prefira água-com-açúcar... previsível... obvia... um livro se conhece pela critica... mas “talvez” você que me lê isoladamente... entenda o meu jeito turbilhão  de ser... só “você”... talvez só você entenda o meu jeito avestruz de evoluir intelectualmente...

SÓ...

Não sou menininha de público-alvo nenhum... gosto do meu gênero de escrever...

SÓ...

seria só um sonho dentre os meus sonhos? que a fome e a violência sejam erradicadas da terra, bem como todos os problemas climáticos do planeta sejam resolvidos... que exista paz e amor entre todos os seres... talvez pela impotência dessas soluções... "quem sabe", se justifique essa tristeza melancólica... que se extrapola pra fora realidade... em explosões surreais.... Uma tentativa de proteger-se? fugir? isolar-se? não participar da realidade talvez seja a maneira de lidar com essa amoricidade apática quase incapaz de aplicar-se... talvez uma tentativa de continuar vivendo (aqui?). pareço viver em alguém que está preso num passado. num passado que não sei onde é. alguém que remete-me ao silêncio... uma saudade que eu não sei do que, nem porque, ou por quem... não há motivos. mas está sempre no meu relógio-calendário. neste tempo...

ou talvez... sejam só resquícios das minhas leituras (aos poetas) malditos. 

[porque eu sozinha não me posso. é a solidão que inventa-me. as flores do mal...]

quarta-feira, 17 de abril de 2013

RETOS CONCEITOS TORTOS





 juro que invejo quem é leito de um só verso. Mas sou matéria viva... tenho sono, sede, fome... Experimento-me em sensações contrarias a partir da realidade dos sonhos. Devoro tudo o que é, o que julgo que (tenha) vida]
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Escrita de Liquidificador

A centopéia pisoteia
Na ponte

Os piolhos pisam nas covas dos cabelos
De cimento

Na passarela de cimento a retina
Retém e rumina os ideais sem idéias

Há conceitos tortos
Brancos
Negros estaiados pelo tempo

Forma deformada
Obtusa
Desusada

Renega de si
e condena os dos outros

Espelho de caos interno
E eterno

Lucidez do cérebro
Ou palavras díspares que disparam?

Aleijadas tentativas
de reciclar desguardados?

No vácuo das chamas
o que queima não é o fogo,
mas o que arde
sem alardes...

Então é isso,
essa letra deve ser mais
um daqueles abacaxis que escrevo,
uma espécie de centopéia errante,
errada pra lugar nenhum,
sem titulo,
ato secreto pois,
então desvie o olhar...

A minha filosofia não está santa,
ela ta tentando é me enlouquecer,
acho que tenho andado só(lilóquia) demais,
(lendo demais),
talvez em sonhos fumegantes e absurdamente desfragmentada,
acho que to ré,
devo fazer uma renuncia virtual
antes que eu vá me desafundando do abismo?

Devo dizer que to embarcada
em novo comboio,
cujo alvo,
é a PAZ.
Então penso que,
chega de fazer
alicerces pra Alices.

Porque a maioria
dos afetos são escondidos?
Deve ser por que
a roda gigante do mundo é grande
e eu sou só um ponto cego amador.

Talvez você diga que o meu proibido
é um lixo,
e eu digo que a tua vida é encapsulada.

Eu repito:
A minha liberdade de dizer
é o que eu tenho pra sonhar...
 **
      ***
             ****
                     *****
                               ******
                                          ******* 
Brincando com um medidor de palavras fraseadas bipolares?
Isso é um extra lixo do ordinário?
Ou seria isso só um ingrato grão do abismo?
Como saber?
Essa poeta é tsunami ou terremoto?
Pessoa bilíngüe virtual?
E que (às) vezes brinca de ser devassa...?

Mas meu exercício diário tem sido o DESAPEGO
O resto é tudo esperança espalhada que tem ficado por aí
Esperança híbrida...
Acho que estou em construidestruição....]
AUTOBIOFAGIA?
uma pronuncia nativa...
Só digo que acho vitalício comer a vida viva,
a vida em três movimentos
um corpo que pulsa além do coração
são vocês que colocam essa poesia viva na minha boca
eu só faço amor com essa literatura de fora
com a minha própria boca
e eu me sinto dividida em tantas coisas,
e de repente me parece que essas realidades estão perto demais...
há uma disposição transversa e eu vou ficando entontecida diante
de todas as letras, e vou me deitando sobre o linho do idioma de cada uma delas,
e então bio-me,
transverso-me,
de atitudes humanamente impensáveis...

AUTOBIOFAGO-ME!
ETERNO-ME,
ENTREGO-ME,
ETERNO CICLO


VIESES

profano

era vicio, amor ou paixão o desejo que ela sentia por ele? o seu cheiro, a sua pele, o odor que exalava das suas axilas... o que escorria por entre as suas coxas... tudo tinha o cheiro bom do seu homem... Tudo nela excitava e rescindia a sexo … ela não falava sobre isso com ninguém, mas ela sabia que ele sabia... e ele sabia também que ela sabia, ambos se sabiam como ninguém... ela sabia que muitos o(a) achavam anti-social... (por só se pertencerem/bastarem-se/estarem a sós e um no outro) um para o outro, mas ela só sabia que  o amava sem restrições... e que não havia um só dia em que não confessasse (que o queria) e a ele dava (eram dele) todos os seus sonhos... (sim), ela era dele (unicamente) em cumplicidade sem precedentes...

SOBRE OGROS E SORRISOS



é muita sorte eu ter você
pra ser a moldura do meu sorriso..

um ogro com sorriso feito a pincel
um ogro doce
ogrodoce
moldura do emoldurável

é pra ser lido
em relevo constante
só ternura...

talvez o espelho
tenha medo do segredo
por isso se apaixona
pelo sorriso...

só talvez]




assinado: FIONA


sábado, 13 de abril de 2013

BOLA e SUCO são coisas fáceis de escrever? : )



Em tempo dessa BABEL PEDAGÓGICA. A produção de conhecimento no interior de um homem vai muito além dos sermões... Além de rousseaunianos, comtianos, socratismos, kantinianos... Vai além da problemática tradicional e da babel desordenada também... Liberdade não quer dizer CAOS. Acredito numa convergência para a luminosidade. Sim. Mas não num questionamento radical desordenado. Cada uma ao seu modo. Livres, porém organizadas... Com uma ideologia entusiasta e crítica... A imaginação infantil é uma bomba desativada... é preciso entender que essa infância pueril é um templo positivista...  É preciso cultivar esse espaço... Pois ele  é clamoroso... Ele clama... Basta ouvir... Não há mais espaço para os teóricos evangelizadores da pedagogia tradicional militantista... As gerações de hoje são entusiastas... São célebres... Já chegam num caminho de volta e já trazem inauguradas novas práticas... Refletir essa nossa época é necessário... Desconvencionar-se desse design com têrmos vagos e pré-estabelecidos (prontos). É um salto de notável pensar.


FÁBULA DA DESAUTORIDADE DE SE DEIXAR IR DESDE O SEU INÍCIO
(analisando abordagens num processo criativo educacional) LIVRE

Ming era uma nuvem... uma nuvem de dedinho... com olhinhos de carinho... uma nuvem de macarrão... de algodão... de céu... de penugem de novelo... nuvem de fio de cabelo... de cabelo branquinho... com cara de carinho... mas vivia trancada numa caixa... com cara de gato... mas ming não era um sapato... nem um gatinho... ming queria ser livre... como um alazão ou um tigre... ming era uma nuvem sereia.... que vivia na caixa... tinha descido na hora errada... era molhada... mas vivia trancada...  tinha grades na caixa pra ming não fugir... tinha guarda-chuva pra ming não se molhar... mas ming não tinha frio.... ela iria adoecer era de tristeza... se não pudesse sair... Ming queria fugir... Ming então começou a escrever palavras malucas... palavras barulhentas... cheia de desarrumadinhos...  Ming estava ficando maluca... sua poesia era um misto de fantasia e música... de luz... de ave... de azul... de sol... de voar.... de i... de a.... de l.... de v.... ming escrevia zabumba com sino... pato com violino... palhaço com caracol... bola com tambor...  foguete com aquário... ming e o seu imaginário... amora até rimava com aurora... mas a noite inteira era cedo... o seu céu era cor de âmbar.... a noite não era insônia... nas asas do sonho de ming.... tudo era brincadeira...  ela voava para além da janela...  nas bolachas da lata de biscoito... no tempo molhado... no relógio parado...  e no vento calorento... ming parecia um catavento... vivia em movimento... num caminho sem sair do lugar... em folhagens que eram abrigos... ming não sabia dos perigos... de ir compondo o seu abrigo... fazendo ser céu e mar...

Ming sereia nuvem... menina... bordado de palavras...  ave-amor... com bico de beija-flor...  Ming sonho da infância... Ming palavrinha de ouvido... sininho de descobrir,  o que do sábio tava cansado de sair... e saber de cor...

PALAVRAS 

A imaginação infantil (é como a minha) é um turbilhão, algo que parece fácil de dizer (e fazer) carro... copo... jarro... bule.... casa... bolo... cabelo... beijo... goiabada... panqueca... avestruz... palavras complicadas... que mais parecem espelhos dos espelhos... vermelho dá sereia... estrela vira teia... como é que eu vou fazer? Ai meu Deus!  Eu quero a minha mãe! Mãe de mãe, avó, sereia, revista, filha... eu acho que vou dormir... meu pijama é uma zebra... é tanta verdade na escola... que é melhor eu dormir... amanhã eu organizo... meu guarda-chuva com cara de macaco... meu casaco com olhos de tigre, com certeza vão me proteger... para além dessas grades, a muito que juntar... a muito que aprender a juntar... escrever é somar... somar é ler... mais que isso... aprender é entender... Tão bom revoar nas palavras... brincadeira de sonhos... onde palavras são bordados... descobri que ensinar... É SIM. UM ATO DE AMOR.



Relatos ALFA: (bem)poéticos? De uma Professorinha. Eu... Professora Alfabetizadora...? Com muito orgulho (sim senhor).
Meus alunos tem entre 6 e 9 anos.
Eu gosto de dizer que sou uma DESEDUCADORA.
O lúdico e sensível universo infantil não carece de explicações ou significados precisos... é um conjunto de estrelas... de planetas e de galaxias... de astros celestes...de alô papai... oi mãe... eu amo a minha professora... é um encantador mundo de palavras, letras e riscos coloridos, sons e ruídos... onde a magia solda-se num segundo. :)

Antítese ou Paradoxo?




imagem: By Pinacoteca


Conceitos absurdos – contra-senso- disparate... algo que sempre aconteceu nas minhas “verdades poéticas”... algo que aconteceu não acontecendo... algo correto em poesia... porém, incorreto no sentido lógico...  oximoros... paradoxos viciosos... figuras de estilo... a luz do senso comum sempre relacionou-me a esses paradoxos. Antítese ou paradoxo? apenas a figura do pensamento. Sem sentido lógico.

Poesia não é pra entender. É pra sentir.
É como a melodia da música. A gente não entende. Mas gosta. Ou não.






EXPLOSIVA DESCOBERTA

acho que tem a ver com. às vezes as palavras me enforcam...]



Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo.
(Carlos Drummond de Andrade)



A gente se silencia
Se tonteia
Se ensurdece
Se despalavreia.
Só pra depois se ressuscitar.
(Serpente Angel)

DESABOTOAMENTO




E a gente era como um pássaro de fogo... a gente se fugia e se entrava pelos ouvidos... se escorria pela pele... pelo cheiro... se adentrava pelos braços... pernas... pés... dedos... pelos... cílios... olhos... a gente tinha um cheiro de insone um no outro... do outro... para o outro... a gente se encontrava no emaranhado dos nossos cabelos.... no enroscamento das nossas madrugadas em concha... nas coxas... no mais... mais... mais... no muito mais... a gente se tinha pelo nariz... o nariz no sexo... e o nosso sexo era na boca... a nossa língua era os nossos dedos... e os nossos dedos era o nosso coração... a gente era nosso... só nosso... e de ninguém mais... o meu era teu... e o teu era meu... de ti... de nós... só da gente... de ninguém mais...  a gente se desabotoava...  se desbocava... a  GENTE SE DESCABIA

a gente era tão imenso... a gente não se servia...]



"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?"
 (Camões)





POEMINHO DO BROTAMENTO





Tic – tac
Tic - tac
Tic - tac

MINUTOS...
HORAS...
TEMPO

tic - tac
tic - tac
tic - tac

estar
demorar
atrasar
ficar

FAZER
RE-FAZER
fazer outra vez

alegrar
causar
passar
ser

dia
noite
noite
dia
dia e hora
hora e dia
vai embora
volta hora
volta agora
volta depois

Tic
Tac
Tic
tac
tic
tac

trinca o olhar
a arca do olhar
a luz é de ouro
do teu
do meu
em mim
pra mim
pra ti
pra nós
brotamento...
tom morno
tempo morno
morno de paz...
sensível momento
películas de cristais?

BROTAMENTO...?
desvindouro





DESVINDOURO: Neologismo da autora






sexta-feira, 12 de abril de 2013

VOO DE ÍCARO


um amor tão grande
a gente não esquece

a gente se adormece...]

LONGE É UM LUGAR QUE NÃO EXISTE...




Eu te esperei...
Sei que as nossas distâncias
Estão além das tempestades
Dos desertos
E das montanhas...

Sei da mágica das tuas asas
Do teu coração de beija flor
Eu iniciei essa viagem
Ainda que seja um tempo de silêncios...

Eu fui!
Eu sei que é difícil compreender
Mas eu fui!

Eu estava lá!
Atrasada...
Depois da hora...
É bem verdade,
mas eu estava lá conforme combinamos...

Quilômetros nos separam,
E eu voei em silêncio através desse tempo
Por um longo tempo...

Conversamos enquanto você me fitava profundamente
Com seus olhos cor de âmbar...
Você tirou teu coração e implantou em mim...
E me disse...
É TEU!

Nos meus olhos um lago escorria...
E eu balbuciei...
Eu me sei pequena minha águia!


Eu sei do teu coração de beija flor...
Eu sei do teu perfume...

Eu sei de todas as tuas coisas...
Do teu tempo...
Do cuidado que me dispensa...
Eu sei da tua luz...

Depois da nossa conversa...
Subimos juntos para além dos ventos da montanha...
Voamos juntos...
Como um presente por eu ter atravessado tantas distâncias...
Você pousou suas asas sobre mim...
Me doou da tua coragem...
Num tempo só nosso...
Nesse tempo que começou antes que o nosso tempo existisse...
E eu fui crescendo...
Você me disse que eu sou a tua criança
Aquela que você precisa conduzir pela mão...
Que me quer adulta e madura,
Mas para sempre eu serei a tua eterna criança...
Você sempre me diz: minha (Lu),

a tua riqueza é o teu coração!

E você me levou pra voar...
E escolheu com cuidado as palavras pra eu caminhar
Me conduziu sobre as nuvens...
Disse que eu estava aprendendo...
Que os meus olhos um dia vão abrir...
Mas que eu já nasci cristal e luz...

Você sobrevoou comigo
O mar...
As colinas...
Abaixo e acima do sol...
E pousamos juntos num telhado de céu
Você ,me disse com tanta ternura que me compreendia...
Que eu sou um pássaro que ainda caminha
Mas que eu irei voar sim!

(um dia)
E que por isso,

me demonstra o (meu voo),
com o teu voo em tuas asas

Então você me deu um anel...
Um anel que cintila e é luz,
Um anel especial...
Um presente alado
Numa caixa de nuvens doces,

com laços e atada com cristais...
Diz que o anel entre nós dois é um nó
E não pode e nem será retirado por ninguém...
Nem jamais será destruído
Diz que a matéria é a luz
Que a intensidade é o amor
Que a nossa cor é o azul...
Que eu sou o teu mundo

E que você é o meu mundo inteiro
Que sou a tua única,

e tudo quanto eu puder ver
Eu poderei ver através dos teus olhos,
Você é o meu presente...
É inteiro meu!

O anel...
O anel que me dá as tuas asas
E que eu posso ver e voar através dos teus olhos
Posso permanecer no céu quanto eu queira...
Seja noite ou seja sol...
Me diz que estou elevada...

Que sou mais que todas as constelações...
Que estou acima do mundo

e das suas preocupações...
Que eu posso tocar o que eu quiser...
Com a mão que me doou os olhos...
E que a medida do tempo tornará tudo mais forte...
Que um dia eu poderei voar sozinha
E que eu não terei mais medo...
Terei amadurecido...
E ainda que tu já tenhas partido...
Você sempre estará comigo...
Que poderei então seguir para além da quietude das nuvens...
E que quando esse dia chegar eu estarei pronta
Eu saberei usar as minhas asas
Que as únicas coisas que importam realmente,
São a verdade e a alegria
Que neste dia não mais precisarei do anel
Pois eu terei aprendido com os pássaros...
Que eu estou, e estarei sempre com você...
LIVRE!

LIVRE!
Por que longe...
Longe...

Longe meu amor,
É um lugar que não existe...
E que a nossa distância minha (LU)z,,

é, e tem,
o tempo das estrelas...

Para um homem,


Uma essência que me ensinou
a tocar o azul...
E ainda que o céu tenha parecido estar longe...

Eu posso, eu ousei ousar,


Obrigada meu anjo,

PARA SEMPRE...




***






O simples é incrível, muitas vezes estamos tão preocupados com grandes coisas, que esquecemos das pequenas, que são os detalhes que realmente importam, e que passam despercebidos aos nossos olhos!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

ENTRE BRUXAS, FADAS e DEUSES...


aprendi que a gente está aqui para distribuir AMOR]

VESTIDA DE SOL



de sangue
de fogo...
de estrelas

de noite
de luas
de ventos...

vestida de cheiros de manjericão
de rosas
de cravos...

de céu
de anjos
de asas

vestida de  morno manto
de águas
de acalanto
de ventre que abriga

guarda...
a-guarda...
a-colhe...

vestida de hóstia
de cálice...
de unção...


apocalipse do sagrado]



*****


então eu descobri que nos jardins há outras rosas,
e que todas elas podem ser únicas,
basta apenas descobrir,
o planeta...

*****



eu tinha rosa
e achava que ela era única,
então construí uma redoma
para protegê-la do vento e do frio,
mas mesmo assim ela morreu...

****


(...) eu juro que é pela hóstia e pelo cálice,
eu juro que é sagrado,
eu juro! (...)

domingo, 7 de abril de 2013

EU SEI


que as minhas tentativas de diálogos com você
sempre foram assim...

um ruído e um rugido

eu sei,
que os olhares que nos viam juntos, eram olhos de espanto,
eram olhos de terror,

eu sei,
que a gente tinha cheiro de perigo,
e que todos os olhares pra nós,
eram olhos de pavor,

mas nesse nosso olhar de ousadia
tinha muito de magia
tinha muito de AMOR]

sábado, 6 de abril de 2013

ITINERÁRIO DE PASÁRGADA


(...) todo poeta é um menino crescido 
com o olhar virgem da infância (...) 
da poesia da minha infância... de quando o azul era irreversível... de quando eu ficava bebendo todos os azuis sem pedir licença pra ninguém... de quando a minha poesia era clarão... era conto de fadas... era história da carochinha... Ah! meninice! sem segredos e intermediários... no itinerário dela só o conteúdo da emoção... do emocional e particular, em que não se pensava em natureza artística  mas em natureza da emoção... a atitude apaixonada dos poemas da infância... do meu "eu" menina... da minha escolinha... o meu acervo infantil não cresceu a menina... a menina que sempre esteve no coletivo da memória... da memória dessa menina que alicerçou o seu país fabuloso nos contos... nas parlendas... adivinhas... cantigas de roda... trava-línguas... tudo isso tem um cheiro de acalanto pra mim... tão cheio de significados e cheiros... tão cheio de "plantas" recriadas, no descampado da minha imaginação...]

____Dentre as minhas inspirações de a muito... : BANDEIRA

sexta-feira, 5 de abril de 2013

DAS DIFERENÇAS...


é que talvez um grão de areia não possa, (não deva) se apaixonar pela estrela que brilha no céu...]

quinta-feira, 4 de abril de 2013

MÁGICA MIRAGEM



 

Miragem de escutar barulho de papel... De adocicar o roxo da maçã... ué! Mas não é vermelho? Pois então. Miragem de se germinar nas sementes do pão.. de se saciar nas cores, nos odores, nos sons... de se sonhar na fotografia que desembrulha o ontem... de viajar-se num barquinho de papelão...

Miragem!
São essas peças mágicas de se imaginar... de se imaginar dentro dos ruidinhos de um poema...de ser o papel rosa de uma canção...

Miragem que atravessa a fronteira da realidade e razão... que embarca no fascinante mundo da imaginação...  miragem de passear nas paginas e nas ruas nuas de se dizer... e se [dizer]...e de se encontrar em todos os caminhos... miragem é se saber: colo – remanso – carinho...
 
Miragem é isso,
de ser homem menino,
de se deixar ir ao sabor do destino...

um homem é feito de peito
peito que aleita-o e se deixa ser  leito
um homem é feito de colo
um homem (quer) colo
e carinho


é lindo quando é assim,
menino,
ternura...
poesia...

SÓ POESIA]
 
MIRAGEM
MAGIA

A SERPENTINHA QUE QUERIA TOCAR A LUA



"tua águia caçadora sempre te protegerá"
[Príncipe coração de sol]

Fragmentos de escritos (meus) da série: FÁBULAS DA TERRA DO NUNCA PARA SEMPRE
[Serpente Angel]

Era uma vez uma serpentinha muito, muito teimosa... ela não entendia porque não podia voar... toda noite ela ia pra sua janela e queria tocar a lua... a serpentinha queria tocar o céu... e ela subia, subia, subia, mas escorregava... a serpentinha só rastejava, porque nessa esfera, era essa a sua condenação... mas a serpentinha não aceitava isso... ela era teimosa, e ela se recusava a viver nessa sua prisão de escuros... então a serpentinha se desinventou, se embalou em palavras mágicas, desescravizou as palavras proibidas, apagou o seu ponto final...

- A serpentinha instalou estrelas na sua cauda... e enroscava-se em arvores... na tentativa de subir... ela fez uma pilha de livros pra virar uma torre pra subir... a serpentinha, só queria tocar o céu... ela queria ser doce... ela queria entender o azul... e era impossível pra serpentinha chegar ao topo... cada vez que ela tentava... ela era tragada pelo abismo... e então a serpentinha teimosa não sabia, mas todos os dias ela era observada... observada por um par de olhos encantados... um olhar mágico e cheio de amor... um olhar que tinha asas aladas... e então um dia ela ganhou um par de olhos... um par de olhos muito brilhantes... olhos doces... olhos de amar... tão brilhantes eram os olhos que pareciam ouro... e os olhos que ela ganhou tinham asas... a serpentinha então ganhou os céus... através dos olhos alados do príncipe chamado, “coração de sol”... depois disso, todas as quedas da serpentinha, foram para o alto... mas isso, isso já é uma outra história...]

quarta-feira, 3 de abril de 2013

SOBRE A POÉTICA DO ENCANTAMENTO...




Querer saber é um processo
Não uma pergunta apenas
Uma lista de palavras
Ou a proximidade de boas conversas...

Um simples (suspiro) causa a(proximidade)?

Um suspiro sincero
Causa encanto?

Encantada a curiosidade
enche-se de ternura e vira poesia...

Perguntas doces
respondem-se com suspiros adocicados?

Processo que é brisa e ternura
Faz o olhar correr serelepe
Como menino
Que viaja longe
E traz perto...

Como privar o olhar
De cada observação tão doce
Sem retribuir com encantamento?

domingo, 31 de março de 2013

Sem Fantasia, Chico Buarque/1967




Vem, meu menino vadio/ Vem, sem mentir pra você/ Vem, mas vem sem fantasia/ Que da noite pro dia/ Você não vai crescer/ Vem, por favor não evites/ Meu amor, meus convites/ Minha dor, meus apelos/ Vou te envolver nos cabelos/ Vem perder-te em meus braços/ Pelo amor de Deus/ Vem que eu te quero fraco/ Vem que eu te quero tolo/ Vem que eu te quero todo meu.

Ah, eu quero te dizer/ Que o instante de te ver/ Custou tanto penar/ Não vou me arrepender/ Só vim te convencer/ Que eu vim pra não morrer/ De tanto te esperar/ Eu quero te contar/ Das chuvas que apanhei/ Das noites que varei/ No escuro a te buscar/ Eu quero te mostrar/ As marcas que ganhei/ Nas lutas contra o rei/ Nas discussões com Deus/ E agora que cheguei/ Eu quero a recompensa/ Eu quero a prenda imensa/ Dos carinhos teus.




-----------------------E aqui continua chovendo....(chuá, chuá, ping, ping, ping, ping, plic, plic, plic, chuá, chuá....goteiras, gotas, uma delicia esse tempo molhado, cinza, introspecto, viagem de se passear por dentro), e eu continuo lendo, relendo, lendo, relendo, lendo, relendo...

Venho de Tempos Antigos



Nota da autora: HILDA HILST pra mim, sempre foi, NAVALHA NA CARNE, sempre foi, INTENSIDADE DE PALAVRAS. O cais de uma época... É como se fosse possível dedilhar um pássaro e fazer sonoridade em suas asas de pura liberdade, é poesia pontilhada da inocência mais pura, por isso mesmo: sangue, ossos, sangue, coração, gozo... Hilda, um dos meus caminhos "irreais", filosoficamente nunca corroídos. Flor de uma época, faz-me uma anciã-menina-mulher, me vê, antes do meu tempo...[SERPENTE ANGEL]

Venho de tempos antigos. Nomes extensos:

Vaz Cardoso, Almeida Prado

Dubayelle Hilst... eventos.

Venho de tuas raízes, sopros de ti.

E amo-te lassa agora, sangue, vinho

Taças irreais corroídas de tempo.

Amo-te como se houvesse o mais e o descaminho.

Como se pisássemos em avencas

E elas gritassem, vítimas de nós dois:

Intemporais, veementes.

Amo-te mínima como quem quer MAIS

Como quem tudo adivinha:

Lobo, lua, raposa e ancestrais.

Dize de mim: És minha.
[HILDA HILST] 


Texto extraído do encarte à edição de "Cadernos da Literatura Brasileira", editado pelo Instituto Moreira Salles - São Paulo, número 8 - Outubro de 1999.



sexta-feira, 29 de março de 2013

CARTA BDSM (tempo de acidez feminina)





"Quando a gente quebra todas as barreiras, coisas maravilhosas acontecem".
Song by Led Zeppelin on [Led Zeppelin IV]
Minha criança... 
Meu maluquinho... 
Eu sou o teu santuário, 
sim, 
eu sou.  Vou escolher o meu mais belo vestido 
pra usar pra você está noite, 
não quero olhar pra trás, 
só quero me dar pra você, 
sou a tua linda mulher, 
aquela a quem você chama de "minha puta", 
só tua. 
A tua cadela, 
aquela mulher que gosta do homem dela,  sempre assim... 
forte, bonito, gostoso, tesudo, só dela, só homem dela, 
senhor dela...  No instante em que eu te escrevo agora, eu estou com cheiro de luxuria, do teu suor, dos beijos, tenho as pupilas dilatadas, a respiração acelerada, a xoxota babada de desejos (por você, só por você meu amor), só por você...  Eu sou a tua PUTA, senhora de ti,
imunda demais (pra te dizer dessas coisas)dirão, sim, dirão, mas e daí? 
imunda demais pra ser comparada as outras direi, dirás... 
(eu sou a tua) "ÚNICA".
- A tua mulher. 
Eu sou aquela que tua amas e beija os pés, 
aquela a quem tu enfeitas com os teus odores e cobre de todos os teus beijos,   teu gozo, teu esperma, teu prazer, eu sou aquela que é dona dos teus carinhos,  de todos os teus mimos, 
afagos, tiaras, e colares de estrelas...  Eu sou o teu caminho, 
a tua amenidade, 
o teu cheiro,
a tua saudade,o teu odor se espalha em mim,  e o meu está impregnado em ti, como uma pele... 
possua-me meu amor, a tua memória está em mim [como sempre esteve],só esperando a próxima cena onde já não dá mais pra sair, 
o que sentimos um pelo outro é para além dos discursos de papéis, 
é sádico demais,  mágico demais, é gostoso demais, 
é êxtase insano, 
é delírio... 
é paixão, loucura pelo prazer com amor, 
e é um inferno em chamas estar longe de você [neste momento], 
meu amor...  Eu sou a tua namorada, 
o delírio da tua verdade,  eu sou o teu amor,o teu principio, o teu meio,o teu fim...  O supremo enleio em que te encontras perdido e encontrado, todo, todo...DENTRO DE MIM! 






{não é necessário falar nada, pois todas as perguntas ou respostas seriam só tolices} 



Eu sou a tua... 
[ e você sabe]
porque você sabe que às vezes as palavras têm duplo sentido,
em uma árvore à beira do riacho há um rouxinol que canta,
e às vezes os pensamentos são inquietantes,
e isso me faz pensar...
Sim, há dois caminhos que você pode seguir,
mas na longa estrada há sempre tempo de mudar o caminho que você segue,
- querido senhor, você pode ouvir esse vento que te sopra?
são os meus pensamentos que sussurram/repousam nessa escadaria de ventos...]
Ah, Led... Led... Led... [é de quando todos são um e um é um todo]
Sim, isso me faz pensar