
Hoje escrevo inspirada no silêncio. Sem maiúsculas. Sem
acentos. Sem reticências. Como se um outono me percorresse num pretérito tão
distante. Hoje os olhos estão carregados de lembranças. Como se tudo fosse um céu
carregado de nuvens em
tempestade. As letras estão distantes. O calendário não
conta. Se é outono, primavera, chuva amena ou sol forte. As folhas estão
espalhadas. Lugares e ilusões. Tudo está ao silêncio. Eu poderia relatar
momentos, momentos, momentos, e momentos. Tantas coisas. Tanta coisa que me fez sorrir. Do que foi. Das conversas
trocadas. Das letras afiadas. Dos chocolates e beijos. Das saudades, que ficarão guardadas
nos ponteiros, e nas paginas, de tantos diários. Mas o que sinto, é muito mais que
saudade mesmo, é a falta daquele nosso abraço apertado, aquele que era sempre esperado. Daquele sorriso
entranhado, dentro das nossas bocas, e esteve em todos os nossos tantos encontros. Mas eu
sei, que eu não sei compor rimas claras. Nem crônicas de lápis de cor. E nem sei compor sorrisos de arco-íris. As
minhas, são cartas sem selos. [ Sempre ] sem destinatário. E por isso, talvez, nunca tenham chegado até você. É verdade que você deveria receber cartas e cartões por
todos os dias do seu aniversário. [sem atrasos] Mas não são as letras que contam. Não são as letras só letras? E as minhas estão ausentes. Estão confusas. Estão distantes do
mundo de agora. Não há lugar no papel presente para as minhas letras. E eu acho mesmo
que já não mais consigo encontrá-las. Não como um dia encontrei. E não é verdade que todas as lembranças
estão nas gavetas, eu trago em fotografias gravadas na alma, momentos dos [teus] olhos nos meus, e que jamais se perdem. E então, estão
aqui, nessas tímidas linhas. Eu deixo aqui, o meu carinho, talvez sem as cores e os sorrisos que você tanto aprecia, mas com os desejos de um feliz aniversário, e desde já... Muitas, muitas saudades mesmo...]